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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Você sabe o que são SBM, SBMAC e SBEM e quais as diferenças entre elas?




São três associações científicas que congregam pessoas que fazem pesquisas ou tem interesse nas áreas, respectivamente, de Matemática pura, Matemática aplicada e no ensino da Matemática na educação básica. O campo científico que envolve o ensino da Matemática é chamado de Educação Matemática. Para facilitar a percepção das suas diferenças foi retirado trechos de seus estatutos e apresentado abaixo.
SBM
A Sociedade Brasileira de Matemática – SBM - constitui-se como uma Associação nos termos do Código Civil em vigor, é uma entidade civil, de caráter cultural e sem fins lucrativos, fundada em 1969.
A SBM tem por finalidade:
a.    congregar os matemáticos do Brasil;
b.    estimular a pesquisa em Matemática e assegurar sua divulgação através de publicações próprias;
c.    estimular a divulgação de conhecimentos de Matemática;
d.    incentivar e promover o intercâmbio entre os Matemáticos do Brasil e do exterior; 
e.    zelar pela liberdade de ensino e pesquisa, bem como pelos interesses científicos e profissionais dos matemáticos no Brasil; 
f.     promover a implantação e zelar pelo constante aprimoramento de trabalho e formação científica em Matemática no Brasil;
g.    oferecer assessoria e colaboração, no campo da Matemática, visando o desenvolvimento do país.

SBMAC
A Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional – SBMAC – é uma associação civil e cultural aberta de caráter não lucrativo, criada em 1º de novembro de 1978.
São finalidades da SBMAC:
  1. congregar profissionais, estudantes e instituições que tenham interesse em matemática aplicada e computacional;
  2. incentivar atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento da matemática aplicada e computacional no Brasil;
  3. estimular a melhoria do ensino da matemática aplicada e computacional em todos os níveis;
  4. zelar pelo prestígio da ciência no país, pela preservação e aprimoramento profissional da comunidade técnico-científica nacional que atua na área de matemática aplicada e computacional;
  5. ficar permanentemente atenta à política governamental, no que diz respeito às atividades de ciência e tecnologia no Brasil, em especial àquelas de matemática aplicada e computacional, de modo a assegurar condições próprias para o desenvolvimento técnico-científico do país;
  6. estabelecer programas e ações conjuntas com instituições científicas correlatas do país e do exterior;
  7. estabelecer programas e ações conjuntas com instituições científicas correlatas do país e do exterior;
  8. promover anualmente, enquanto for de interesse da Associação, o Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional - CNMAC;
  9. promover, por meio de reuniões, congressos, conferências, cursos e publicações, o conhecimento, informações e opiniões que tenham por objetivo a divulgação da ciência e os interesses da comunidade de matemática aplicada e computacional;
  10. estimular a divulgação de conhecimentos da matemática aplicada e computacional, com a publicação de livros texto e monografias e demais meios de comunicação;
  11. estimular melhor aproveitamento e melhor distribuição de pessoal científico no campo da matemática aplicada e computacional e melhor planejamento da formação de especialistas necessários ao desenvolvimento do país.

SBEM

A Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM é uma associação civil sem fins lucrativos, de direito privado, de âmbito nacional e sem qualquer vinculação político-partidária ou religiosa, com caráter educacional, científico e cultural, fundada em 27 de janeiro de 1988.
São objetivos da SBEM:
1.    Promover o desenvolvimento da área de Educação Matemática e sua implementação na práxis educativa;
2.    Atuar, em caráter complementar às atividades do Estado, junto aos órgãos governamentais na formulação, implementação e avaliação de políticas nacionais de educação e, em especial, as relacionadas à Educação Matemática;
3.    Atuar como centro de debates sobre a produção na área de Educação Matemática, propiciando o desenvolvimento de análise crítica dessa produção;
4.    Atuar como centro de debates sobre a produção na área de Educação Matemática, propiciando o desenvolvimento de análise crítica dessa produção;
5.    Orientar e atuar na obtenção de recursos para o desenvolvimento da área de Educação Matemática;
6.    Promover o desenvolvimento de pesquisas na área de Educação Matemática;
7.    Promover estudos e ações focados na formação de professores na área de Educação Matemática;
8.    Promover e divulgar estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção de conhecimentos técnicos e científicos referentes às atividades ligadas à Educação Matemática, nos termos do que dispõe a Lei Federal nº. 9.790, de 23 de março de 1999;
9.    Congregar todas as pessoas que se dispõe a trabalhar pelos objetivos anteriores.

A SBEM atua como centro de debates sobre a pesquisa em Educação Matemática e propicia o desenvolvimento de análises críticas dessa produção. Em sua organização interna, abriga doze Grupos de Trabalho (GTs) que se reúnem, a cada três anos no Seminário Internacional de Educação Matemática - SIPEM, e se dedicam aos campos de: GT1 - Educação Matemática nas séries iniciais; GT2/GT3 - Educação Matemática nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio; GT4 - Educação Matemática no ensino superior; GT5 - História da Matemática e Cultura; GT6 - Educação Matemática: novas tecnologias e educação a distância; GT7 - Formação de professores que ensinam Matemática; GT8 - Avaliação em Educação Matemática; GT9 - Processos cognitivos e lingüísticos em Educação Matemática; GT10 - Modelagem matemática; GT11 - Filosofia da Educação Matemática; GT12 - Ensino de probabilidade e estatística.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ENEM nos 25 anos de SBEM


Encaminhamos, aos nossos seguidores, o comunicado da Sociedade Brasileira de Educação Matemática.

Durante a realização do XI ENEM construiremos mais um capítulo da história não apenas dos ENEMs, mas da própria SBEM.  Este capítulo comemorará os 25 anos da criação da Sociedade Brasileira de Educação Matemática – SBEM.

A História dos ENEMs está ligada de forma orgânica à própria história da Sociedade Brasileira de Educação Matemática – SBEM, demarcando, inclusive a sua origem. 

Desde a década de 1980 diversos grupos constituídos por professores, estudantes e pesquisadores no país, preocupados com questões referentes à Educação Matemática, promoveram debates e discussões com vistas  a um futuro promissor no espaço que lhes cabia no campo educativo. Essa preocupação motivou a realização do I Encontro Nacional de Educação Matemática- ENEM, na PUC–SP em 1987.  No ano seguinte, em 1988, realizou-se o II ENEM, na cidade de Maringá-PR, no qual ocorreu a fundação da Sociedade Brasileira de Educação Matemática–SBEM.  A partir de então a SBEM realizou os ENENs seguintes, até 1995 bianualmente e após trianualmente. Sequencialmente a história dos ENEMs foi sendo construída.  Em 1990 o III ENEM ocorreu em Natal–RN,  o IV- ENEM em Blumenau em 1993,  o V ENEM em Aracajú–SE em 1995,fo VI ENEM em São Leopoldo-RS em 1998, o VII ENEM no Rio de Janeiro–RJ, em 2001, o VIII ENEM em Recife–PE em 2004,, o IX ENEM em Belo Horizonte MG em 2007  e o X ENEMN em Salvador – BA em 2010. Na Assembleia realizada em Salvador ficou acordado que o Paraná sediaria o XI ENEM, sendo o primeiro Estado brasileiro a sediar este evento em duas ocasiões. É com satisfação que Curitiba receberá os participantes deste XI ENEM.

Este evento é o mais importante no âmbito nacional, porque congrega o universo dos segmentos envolvidos com a Educação Matemática: professores da Educação Básica, Professores e Estudantes das Licenciaturas em Matemática e em Pedagogia, Estudantes da Pós-graduação e Pesquisadores. A cada encontro constatamos o interesse pelas discussões sobre a Educação Matemática, seus fazeres múltiplos e complexos, novas tendências metodológicas e  pesquisas que dão sustentação ao campo. 

É o momento de refletir sobre o passado e de prospectar o futuro. Por isso a Comissão Local de Organização do ENEM criada pela SBEM-PR propôs que o tema do ENEM 2013 seja nucleado pela ideia de retrospectivas e perspectivas da Educação Matemática no Brasil. Olhar para o passado e vislumbrar o futuro para construir caminhos. 25 anos é um marco. É assim que estamos caminhando. 

Com promoção da Sociedade Brasileira de Educação Matemática – SBEM, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR abraçou a realização do evento em suas instalações e, sob a Coordenação Geral da Sociedade Brasileira de Educação Matemática-Regional do Paraná em parceria com as demais Instituições estaduais , federais e particulares do Estado sentem-se jubilosas, pois neste estado foi fundada a SBEM e aqui comemoramos , os seus 25 anos. 

Coordenação do XI ENEM e DNE 2010-2013

PIBID Matemática UFMT/CUA

domingo, 15 de julho de 2012

Etnomatemática



 
VOCÊS SABEM QUEM É UBIRATAN D’AMBROSIO?

Professor Emérito de Matemática da Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP. Nascido em São Paulo em 8/12/32. Bacharel e Licenciado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1954). Doutor em Matemática pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade São Paulo (1963). Pós-doutorado na Brown University, USA, (1964-65).

Atualmente, é professor do Programa de Estudos Pós-Graduados de História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / PUC; professor credenciado no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo; professor do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" / UNESP; professor visitante no Programa Sênior da FURB / Universidade Regional de Blumenau.

Outras funções: Presidente da Sociedade Brasileira de História da Matemática / SBHMat; Presidente do ISGEm / International Study Group on Ethnomathematics; Presidente do Instituto de Estudos do Futuro / IEF de São Paulo; pesquisador e membro do Conselho Diretor do NACE-ATC (Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Arte, Tecnologia e Comunicação) da Universidade de São Paulo; Membro do Conselho Diretor do Institute for Information Technology in Education (IITE), da UNESCO, sediado em Moscou (1998-2002); Membro do Conselho Científico do Museu de Astronomia e Ciências Afins / MAST, do Conselho Nacional de Pesquisas / MCT (1996-2003). É "fellow" da American Association for the Advancement of Science / AAAS; Presidente Honorário da Sociedade Brasileira de História da Ciência / SBHC.

Foi Pró-Reitor de Desenvolvimento Universitário da Universidade Estadual de Campinas (1982-90), Diretor do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da mesma (1972-80), Coordenador dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (1988-92) e Chefe da Unidade de Melhoramento de Sistemas Educativos da Organização de Estados Americanos, Washington, DC (1980-82) e membro do Conselho da "Pugwash Conferences on Science and WorldAffairs" (ONG que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1995); lecionou em várias universidades do país e do exterior.



ETNOMATEMÁTICA 

A etnomatemática surgiu na década de 1970, com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da matemática, como a análise das práticas matemáticas em seus diferentes contextos culturais. Mais adiante, o conceito passou a designar as diferenças culturais nas diferentes formas de conhecimento. Pode ser entendida como um programa interdisciplinar que engloba as ciências da cognição, da epistemologia, da história, da sociologia e da difusão.
A palavra foi cunhada da junção dos termos techné, mátema e etno. Segundo Ubiratan D'Ambrósio o Programa Etnomatemática "tem seu comportamento alimentado pela aquisição de conhecimento, de fazer(es) e de saber(es) que lhes permitam sobreviver e transcender, através de maneiras, de modos, de técnicas, de artes (techné ou 'ticas') de explicar, de conhecer, de entender, de lidar com, de conviver com (mátema) a realidade natural e sociocultural (etno) na qual ele, homem, está inserido."
Tomando o campo da educação matemática como exemplo, numa perspectiva etnomatemática, o ensino da matemática ganha contornos e estratégias específicas, peculiares ao campo perceptual dos sujeitos aos quais se dirige. A matemática vivenciada pelos meninos em situação de rua, a matemática desenvolvida em classes do ensino supletivo, a geometria na cultura indígena, são completamente distintas entre si em função do contexto cultural e social na qual estão inseridas.

Educação Matemática

Depois do fracasso da Matemática Moderna, na década de 70, apareceram, entre os educadores matemáticos, várias correntes educacionais desta disciplina, que tinham uma componente comum – a forte reação contra a existência de um currículo comum e contra a maneira imposta de apresentar a matemática de um só visão, como um conhecimento universal e caracterizado por divulgar verdades absolutas. Além de perceberem que não havia espaço na Matemática Moderna para a valorização do conhecimento que o aluno traz para a sala de aula, proveniente do seu social.
Ubiratan D´Ambrosio, se utiliza em 1985, pela primeira vez o termo Etnomatemática, isto no  seu livro: “Etnomathematics and its Place in the History of Mathematics”, onde o termo esta inserido dentro da História da Matemática. Este autor cita que em 1978 utilizou este termo numa conferencia, que pronunciou na Reunião Anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência, que infelizmente não foi publicada.
Um fato importante foi a criação, em 1986, do Grupo Internacional de Estudo em Etnomatemática (IGSEm) congregando pesquisadores educacionais de todo o mundo que estavam, de alguma maneira, pensando digamos nesta área do conhecimento e, principalmente, em como utilizá-la em sala de aula.
Este estudo leva a ver a Matemática como um produto cultural, e, então, cada cultura, e mesmo sub-cultura, produz sua matemática específica, que resulta das necessidades específicas do grupo social. Como produto cultural tem sua história, nasce sob determinadas condições econômicas, sociais e culturais e desenvolve-se em determinada direção; nascida em outras condições teria um desenvolvimento em outra direção. Pode-se então dizer que o desenvolvimento da matemática é não-linear, como querem alguns matemáticos.

Fonte:

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Educação Matemática Crítica


VOCÊ SABE QUEM É OLE SKOVSMOSE

O professor dinamarquês Ole Skovsmose é um dos principais responsáveis por divulgar o movimento da “educação matemática crítica” ao redor do mundo. Com mestrado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Copenhague e doutorado em Educação Matemática pela Royal Danish School of Education Studies, Skovsmose defende em seus trabalhos o direito à democracia e o ensino de matemática a partir de trabalho com projetos. “Uma educação crítica não pode ser estruturada em torno de palestras proferidas pelo professor”, diz.

Skovsmose questiona as práticas tradicionais, muitas vezes realizadas sem reflexão, como a ênfase excessiva na realização de listas de exercícios, que pode comprometer a qualidade da aula de matemática, e acredita que “mais importante do que só fazer exercícios é trabalhar com investigações”. Para ele, a Educação Matemática Crítica possui um importante papel no mundo atual, sobretudo em função do avanço tecnológico. Skovsmose também desenvolveu diversos conceitos importantes para interpretar processos de aprendizagem, como cenários de investigação, foreground dos estudantes e guetorização.

Skovsmose sempre se preocupou com os países localizados fora dos centros de poder, o que o levou a viajar pelo mundo orientando e desenvo lvendo pesquisas. Está sempre em contato com professores e pesquisadores da África do Sul, Colômbia e Brasil. Em nosso país, ele visita anualmente o programa de Pós -Graduação em Educação Matemática da UNESP, em Rio Claro, São Paulo.

Atualmente, Skovsmose é professor do Departam ento de Educação, Aprendizagem e Filosofia da Universidade de Aalborg, na Dinamarca. Tem livros publicados em português, como Educação matemática crítica: a questão da democracia (2001) e Desafios da reflexão em educação matemática crítica (2008), ambos publicados pela editora Papirus, Educação Crítica – incerteza, matemática, responsabilidade (2007) pela editora Cortez e Diálogo e aprendizagem em educação matemática (2006) em parceria com Helle Alroe publicado pela editora Autêntica.



 Cenários para investigação

Acredito que mais importante do que fazer exercícios, é analisar os diferentes tipos de situações, aprendendo a construir estratégias utilizando os conceitos matemáticos. Muitas vezes, fazendo exercícios, os alunos não v ão aprender matemática para toda a vida, mas na prática de realização de listas de exercícios em busca das ‘respostas certas’.”

A educação matemática tradicional se enquadra no paradigma do exercício. Geralmente, o livro didáctico representa as condições tradicionais da prática de sala de aula. Os exercícios são formulados por uma autoridade externa à sala de aula. Isso significa que a justificação da relevância dos exercícios não é parte da aula de matemática em si mesma. Além disso, a premissa central do paradigma do exercício é que existe uma, e somente uma, resposta correcta.

O meu interesse numa abordagem de investigação tem relação com a educação matemática crítica, a qual pode ser caracterizada em termos de diferentes preocupações. Uma delas é o desenvolvimento da materacia, vista como uma competência similar à literacia caracterizada por Freire.

Materacia não se refere apenas às habilidades matemáticas, mas também à competência de interpretar e agir numa situação social e política estruturada pela matemática. A educação matemática crítica inclui o interesse pelo desenvolvimento da educação matemática como suporte da democracia, implicando que as micro-sociedades de salas de aulas de matemática devem também mostrar aspectos de democracia. A educação matemática crítica enfatiza que a matemática como tal não é somente um assunto a ser ensinado e aprendido (não importa se os processos de aprendizagem são organizados de acordo com uma abordagem construtivista ou socio-cultural).

A Matemática em si é um tópico sobre o qual é preciso refletir. Ela é parte de nossa cultura tecnológica e exerce muitas funções, as quais podem ser mais bem caracterizadas por uma leve reformulação da Primeira Lei de Kranzberg: o que a matemática está produzindo não é bom nem ruim, nem é neutro. A matemática é parte de nossas estruturas tecnológicas, militares, económicas e políticas e como tal, um recurso tanto para maravilhas como para horrores.

Fazer uma crítica da matemática como parte da educação matemática é um interesse da educação matemática crítica. Parece não haver muito espaço no paradigma do exercício para que tais interesses sejam levados em conta.


Fonte

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O PENSADOR DA CONTRADIÇÃO


Você sabe quem é Nilton da Costa?

“Sou o espírito que tudo nega”


O professor entra em sala, vai até o quadro negro, pega um giz, embrulha uma de suas pontas cuidadosamente com um pedaço de papel para não tocá-la ao escrever, coloca uma pastilha de hortelã na boca, e diz para os alunos à sua frente: “vim jogar a serpente no paraíso de vocês”. E começa a conferência, ágil, voz forte, um riso às vezes brincalhão no rosto.

O professor é Newton Carneiro Affonso da Costa e um dos cinco matemáticos brasileiros de maior projeção internacional, pelo número de citações que seus trabalhos recebem, todos os anos, e pela enorme influência que exerceu e exerce através de seus muitos alunos e colaboradores, que se espalham do Brasil aos Estados Unidos, à Europa e até à Austrália.

Um dos alunos de Newton da Costa, um dia, entrou no gabinete do professor, no departamento de filosofia da Universidade de São Paulo, e enquanto este olhava algo surpreso, o aluno escreveu no quadro negro: ich bin der Geist der stets verneint. É uma citação do Fausto de Goethe, sou o espírito que tudo nega. A citação se aplica perfeitamente a Newton da Costa, pois seus trabalhos mais difundidos dizem respeito às chamadas lógicas paraconsistentes.

A lógica clássica, tratada com os métodos matemáticos, desenvolveu-se extraordinariamente desde meados do século XIX, a partir dos trabalhos do inglês George Boole, passando pelo alemão Gottlob Frege, por Alfred North Whitehead e Bertrand Russell, vindo a consolidar-se com as contribuições de David Hilbert, Kurt Gödel e Alfred Tarski, entre vários outros. No âmbito de um sistema lógico clássico, dadas duas proposições contraditórias (ou seja, uma delas é a negação da outra), qualquer proposição do sistema pode ser deduzida. Em outros termos, e dito por alto, de uma contradição tudo se demonstra. Quando isso acontece, o sistema teórico fundamentado na lógica clássica é chamado trivial. Inconsistência (existência de contradição) e trivialidade não eram conceitos separados até Newton da Costa. Aliás, o “horror às contradições” vem pelo menos desde Aristóteles, com a sua ênfase na validade do Princípio da Não-Contradição, e costuma ser admitido, sem hesitações, pela grande maioria dos matemáticos.

Newton da Costa mostrou que os matemáticos não precisam recear as contradições, pois descobriu como estender a lógica clássica de modo a obter sistemas formais (ditos paraconsistentes) nos quais a existência de proposições contraditórias não conduz à trivialização do sistema. Com isso, não pretendeu destruir a lógica clássica, que chama de “mãe de todas as lógicas,” e nem provar que está errada. Apenas mostra que ela se aplica a um domínio definido, limitado, da matemática. Seus trabalhos a este respeito iniciaram-se em 1958, e culminam em sua tese de cátedra, Sistemas Formais Inconsistentes, apresentada em 1963, que conclui com o aforismo de Cantor, o criador da teoria dos conjuntos: a essência da matemática radica na sua completa liberdade. Aqui, temos o que parece ser a idéia-mestra, o fio condutor dos trabalhos de Newton da Costa: a imaginação pode nos levar a inventar universos matemáticos novos e que podem ter interessantes conseqüências.


Newton da Costa (Da Costa)
Newton Carneiro Affonso da Costa (Curitiba, 16 de setembro de 1929) é um matemático, lógico e filósofo brasileiro, de reputação internacional devido principalmente aos seus trabalhos em lógica. Conseguiu três graduações pela Universidade Federal do Paraná: em 1952 formou-se em engenharia civil, e em 1955 e 1956 obteve o bacharelado e licenciatura em Matemática ambos pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
Especializou-se em licenciatura de Matemática no ano de 1957, e concluiu o seu doutorado de análise matemática e análise superior no ano de1961, sob a orientação de Edison Farah. Newton da Costa foi professor catedrático da UFPR, professor titular de Matemática e de Filosofia na USP, e professor titular na Unicamp. Foi, também, visitante em muitas entidades de pesquisa nas Américas e na Europa. Hoje é professor visitante do Departamento de Filosofia da UFSC.

  

Principais contribuições em ciência

Lógicas paraconsistentes

Em sistemas lógicos paraconsistentes a existência de proposições contraditórias não implica a trivialidade dos sistemas. As implicações destes sistemas lógicos tem importância acadêmica e prática tanto para os fundamentos quanto para as aplicações de ciências como direito, matemática, física e engenharia. Ser um dos criadores desta lógica não-clássica (tópico da lógica) deu parte do reconhecimento internacional que o Professor Da Costa granjeou.
Os conhecidos cálculos Cn de Da Costa foram amplamente generalizados e ampliados pelas Lógicas da Inconsistência Formal investigados por Walter Carnielli, Marcelo E. Coniglio e João Marcos.
Juntamente com seu colega (e ex-orientando), o lógico Walter A. Carnielli, professor da UNICAMP, Da Costa deu uma contribuição original à Lógica Dêontica. Da Costa e Carnielli mostraram que uma lógica menos rígida que a lógica clássica pode dar uma nova resposta aos chamados paradoxos deônticos. Esta contribuição ao debate é reconhecida no verbete Deontic Logic da Stanford Enc. of Philosophy.

Teoria da Quase Verdade

Da Costa com alguns de seus colaboradores, estendeu o conceito escolástico de verdade, formulando, à maneira de Alfred Tarski, uma noção, a teoria da quase verdade ou verdade parcial que então aplicou aos fundamentos da ciência.

Fundamentos da matemática e da física

O método axiomático é uma ferramenta que estende a compreensão a respeito dos limites e desdobramentos das teorias. As pesquisa de Da Costas incluem teoria dos modelos, teoria de Galois, axiomatização da mecânica quântica e da relatividade restrita e teoria da complexidade.
Da Costa juntamente com o físico Francisco A. Dória axiomatizou, utilizando o predicado de Suppes, várias teorias físicas, chegando a resultados importantes como o da incompletude ou indecidibilidade de certas proposições da teoria de sistemas dinâmicos, em sua versão axiomatizada. Este resultado também foi estendido para o equilíbrio de Nash.

P=NP?

O problema P = NP? é um dos problemas mais importantes da teoria da computação e relaciona-se diretamente com a limitação do poder de processamento dos computadores, entre outras questões de aplicação prática.
Juntamente com Francisco A. Dória, Da Costa publicou dois artigos que condicionam a consistência do problema P=NP? à teoria de conjuntos ZFC. Os resultados obtidos são similares aos obtidos por outros autores e a comunidade científica ainda está avaliando estes resultados.

Fontes:

domingo, 8 de julho de 2012

UMA MENTE BRILHANTE

Você sabe quem é John Nash?


            Forbes Nash Jr. (Bluefield, 13 de junho de 1928) é um matemático norte-americano que trabalhou na Teoria dos jogos, na Geometria diferencial e na Equação de derivadas parciais, servindo como Matemático Sénior de Investigação na Universidade de Princeton.
John Nash ganhou o prêmio Nobel de Economia, em 1994, junto com John C. Harsanyi e Reinhard Selten, aos 66 anos de idade. Esse prêmio foi o reconhecimento por suas contribuições teóricas no campo da Teoria dos Jogos, estudos que ele fizera décadas antes, enquanto era estudante de pós-graduação na Universidade de Princeton.
Foto de 2006



Imagem de 2010 em um evento na USP, em São Paulo


John Nash foi para o Carnegie Institute of Technology estudar Engenharia, mas logo se interessou pela Matemática. Talvez seu primeiro interesse pela Matemática tenha sido aos 13 ou 14 anos, quando leu o livro de E.T. Bell, Men of Mathematics, sendo o texto sobre Fermat o que mais teria lhe chamado atenção, fato que ele menciona em seu ensaio biográfico para o prêmio Nobel.
A teoria dos Jogos é um ramo da Matemática que estuda a interação entre estratégias e foi desenvolvida inicialmente como ferramenta para descrever e prever o comportamento econômico.
O problema mais famoso da Teoria dos Jogos é o Dilema do Prisioneiro, formulado por Merrill Flood e Melvin Dresher em 1950. Mais tarde, Albert W. Tucker fez a sua formalização com o tema da pena de prisão e deu ao problema geral esse nome específico.

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?

O conceito do Equilíbrio de Nash, generalizou a Teoria dos Jogos, expandindo suas aplicações para vários aspectos da economia e para a ciência política, a sociologia e até à biologia. Com isso, temas como eleições, leilões, o mercado de trabalho e a evolução genética, por exemplo, podem ser tratados como jogos e compreendidos pela análise teórica.
O livro “Uma mente brilhante” de Sylvia Nasar, publicado em 2002 pela Editora Record (traduzido do original em inglês “A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash Jr.” (London-New York, 1998), por Sérgio Moraes Rego, 585p) conta com mais detalhes vida dessa grande personalidade.

A vida de John Nash também chegou ao cinema no filme Uma mente brilhante, dirigido por Ron Howard e estrelado por Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ed Harris e Christopher Plummer.



Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro
http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2010/08/04/premios-nobel-discutem-teoria-dos-jogos-em-sao-paulo.htm
John Nash ganhou o prêmio Nobel de Economia, em 1994, junto com John C. Harsanyi e Reinhard Selten, aos 66 anos de idade. Esse prêmio foi o reconhecimento por suas contribuições teóricas no campo da Teoria dos Jogos, estudos que ele fizera décadas antes, enquanto era estudante de pós-graduação na Universidade de Princeton.

domingo, 6 de maio de 2012

06 de maio DIA NACIONAL DA MATEMÁTICA

Comemore comosco o DIA NACIONAL DA MATEMÁTICA em homenagem ao maior EDUCADOR MATEMÁTICO brasileiro, visitando a pagina oficial de MALBA TAHAM 
(http://www.malbatahan.com.br/).


O DIA DA MATEMÁTICA

Segundo o Professor Bigode (ANTONIO JOSÉ LOPES)(por e-mail), a iniciativa de instituir o Dia da Matemática partiu da comissão organizadora do Centenário de Malba Tahan, no ano de 1995. Esta comissão era formada por Pedro Paulo Salles (educador musical e sobrinho neto de Malba Tahan), André de Faria Pereira (historiador e neto de Malba Tahan), Valdemar Vello (editor e educador matemático), Atílio Bari (teatrólogo e ator)  e pelo próprio Bigode  (educador matemático), todos estudiosos em Malba Tahan, cada um na sua especialidade.
Bigode ainda comenta que a proposta do DIA DA MATEMÁTICA foi apresentada e entusiasticamente abraçada pelo saudoso educador e antropólogo Darcy Ribeiro, que na época era senador pelo estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de divulgar a Matemática como área de conhecimento, sua história e suas aplicações no mundo, bem como sua ligação com outras áreas de conhecimento.
Assim, o Dia da Matemática foi oficializado no ano de 1995 na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara Municipal de São Paulo. Mais tarde, a direção da SBEM deu continuidade à campanha pela instituição do Dia da Matemática apresentando o projeto de Darcy Ribeiro, que acabou sendo encampado pela deputada por Goiás Raquel Teixeira e que ainda está em tramitação na Câmara Federal (Projeto de Lei 3482/2004). Recentemente, por iniciativa da comunidade de educação matemática da Bahia, foi instituído o Dia Municipal da Matemática pela Câmara Municipal de Salvador.
Neste dia, espera-se a mobilização de alunos e professores para o desenvolvimento de projetos, exploração e promoção da matemática em suas várias dimensões da recreativa à cultural, da utilitária à histórica e muitas outras que lhe atribuem significado.
O Dia Nacional da Matemática é comemorado em 6 de maio, de acordo com o PL 3482/2004, pois é a data de nascimento do Educador Matemático Julio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan.
A obra de Malba Tahan foi estudada e gerou incontáveis artigos e teses, destaque-se o trabalho de Cristiane Coppe de Oliveira que defendeu em 2008 sua tese de doutorado “A sombra do arco-íris: um estudo histórico/mitocrítico do discurso pedagógico de Malba Tahan”. Certamente há muito mais sobre a obra de Malba Tahan e sua importância e influência na Educação Matemática brasileira.
Um acervo pessoal de Malba Tahan, do Instituto Malba Tahan foi transferido para o Centro de Memória da Educação, da Unicamp. Recentemente foi criado uma pagina oficial em homenagem a Malba Tahan (http://www.malbatahan.com.br/).
Malba Tahan era o pseudônimo do professor de matemática Julio César de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro no dia 6 de maio de 1895. Ele é o autor de um dos maiores sucessos literários de nosso país, o romance O Homem que Calculava, já traduzido em mais doze idiomas. Embora tenha publicado ao longo de sua vida cerca de 120 livros sobre Matemática Recreativa, Didática da Matemática, História da Matemática e Literatura Infanto-juvenil, atingindo tiragem de mais de dois milhões de exemplares, pouca gente sabe que ele era brasileiro.
Como Julio César de Mello e Souza, escreveu alguns livros didáticos de matemática e o Dicionário Curioso e Recreativo da Matemática. Durante muitos anos o público acreditou que Julio Cesar e Malba Tahan fossem duas pessoas diferentes. Julio Cesar faleceu em Recife no dia 18 de Junho de 1974, vítima de um ataque cardíaco. Estava na capital pernambucana para conferências sobre a Arte de Ler e Contar Estórias, título de um de seus livros.
Devemos aproveitar essa data para divulgar a Matemática como parte do patrimônio cultural da humanidade mostrando que a Matemática foi criada e vem sendo desenvolvida pelos seres humanos em função de necessidades sociais. Devemos, nessa oportunidade, divulgar a Matemática como área do conhecimento humano, sua história, suas aplicações no mundo contemporâneo, sua ligação com outras áreas do conhecimento e, principalmente, buscar derrubar mitos de que a matemática é muito difícil sendo acessível apenas aos "talentosos". Precisamos erradicar a idéia de que a Matemática é um "bicho-papão", uma disciplina sem vida que só exige dos alunos memorização de fórmulas e treinamento.
Trabalhando as obras de Malba Tahan é possível mostrar aos alunos que a Matemática pode ser uma divertida e desafiante aventura podendo ser trabalhada de forma dinâmica e criativa.